Networking genuíno é um ativo para carreiras duradouras
Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e marcado pelo avanço da tecnologia, construir uma rede sólida de relacionamentos continua sendo um dos principais diferenciais para profissionais e empreendedores. Mais do que colecionar cartões de visita ou participar de eventos empresariais, o networking genuíno pode ser um ativo estratégico capaz de gerar oportunidades ao longo de toda a trajetória profissional.
Essa é a principal reflexão trazida por Paula Regufe, fundadora e diretora da FFuture – Comunicação e PR, durante entrevista ao JG TV. Segundo a especialista, relacionamentos autênticos têm valor econômico, emocional e profissional, tornando-se um patrimônio construído ao longo dos anos.
“O networking genuíno é quando uma pessoa consegue disponibilizar o que ela tem de melhor para além só de um produto. Quando ela consegue disponibilizar o que ela é, a essência dela, como ela pode agregar na vida do outro e ser uma via de mão dupla, uma troca”, afirma.
Para Paula, um dos maiores equívocos sobre networking é acreditar que ele precisa gerar resultados imediatos. Ela destaca que uma conexão verdadeira pode não se transformar em negócio naquele momento, mas tende a permanecer viva na memória das pessoas e gerar oportunidades futuras.
“Relacionamento genuíno para mim é quando você consegue entregar sem o interesse vindo na frente, sem o ter vindo na frente do ser”, explica.
Relacionamentos são patrimônio profissional
A trajetória da executiva é um exemplo do impacto que as conexões podem ter nos negócios. Após mais de uma década na carreira executiva e três anos à frente da agência, Paula afirma que muitos dos clientes conquistados no passado continuam indicando novos negócios até hoje.
“Eu digo que o relacionamento para mim, o tomar o cafezinho, ir a eventos, perguntar para uma pessoa como ela está depois de muito tempo sem falar, isso é um patrimônio ativo na minha vida”, relata.
Ela destaca que 100% dos clientes atendidos há mais de 12 anos ainda geram indicações e oportunidades. Segundo a especialista, cultivar relacionamentos é uma prática indispensável para qualquer empreendedor, independentemente do porte do negócio.
“Nenhum empreendedor cresce sozinho. A gente precisa de ajuda de outros empreendedores”, ressalta.
Essa visão é corroborada pela ciência. Um estudo publicado na revista Science, desenvolvido por pesquisadores do LinkedIn, Stanford, MIT e Harvard, analisou dados de mais de 20 milhões de usuários da plataforma profissional e concluiu que conexões moderadamente fracas — os chamados “laços fracos” — são particularmente eficazes para gerar mobilidade profissional e novas oportunidades de trabalho. Ou seja, muitas vezes são aquelas pessoas que não fazem parte do círculo mais próximo que podem abrir portas inesperadas na carreira.
O erro mais comum no networking
Embora muitas pessoas associem networking à capacidade de falar bem ou vender uma ideia rapidamente, Paula acredita que o principal obstáculo está no autoconhecimento.
“O principal erro é não se conhecer o suficiente para se reconhecer na hora de um relacionamento ou de um contato”, afirma.
Segundo ela, profissionais que não conseguem reconhecer sua própria trajetória acabam desperdiçando oportunidades valiosas de conexão. O networking começa pela clareza sobre quem somos, quais experiências acumulamos e de que forma podemos contribuir para a vida das outras pessoas.
Para a especialista, o excesso de ansiedade em criar conexões também costuma prejudicar os resultados. O desejo de conseguir contatos a qualquer custo pode fazer com que o profissional ignore aquilo que realmente está acontecendo na interação.
“A conexão que vai gerar bons relacionamentos, bons frutos e bons negócios pode surgir do caminho da conversa, e não do objetivo inicial”, explica.
O poder da autenticidade na carreira
Ao longo da entrevista, Paula compartilhou uma descoberta pessoal que transformou sua visão sobre posicionamento profissional. Características que ouviu durante a infância como críticas — ser falante, criativa e agitada — tornaram-se justamente os atributos que hoje sustentam sua atuação profissional.
“Essas são as aptidões que mais me fazem ganhar dinheiro hoje”, conta.
A executiva acredita que muitas pessoas passam a vida tentando esconder justamente aquilo que as torna únicas. Por isso, convida profissionais e empreendedores a revisitar suas próprias histórias.
“Olha para a sua infância e fala: o que eu ouvi sobre mim que as pessoas podavam? Essa energia da tua criança pode ter certeza que você usa no seu dia a dia para ter sucesso e você não percebe.”
Introvertidos também podem construir grandes redes
Outro ponto abordado na entrevista foi a crença de que networking é uma habilidade exclusiva dos extrovertidos. Para Paula, isso não corresponde à realidade.
Ela explica que relacionamentos são construídos de diversas formas. Um profissional pode demonstrar interesse genuíno ouvindo atentamente, conectando pessoas, ajudando alguém ou simplesmente acolhendo o outro durante uma conversa.
“A gente fala de diversas maneiras: ouvindo, olhando, interagindo. A ação também é uma forma de linguagem”, destaca.
Na avaliação da especialista, introvertidos podem desenvolver excelentes redes profissionais justamente por sua capacidade de observação e escuta ativa.
Tecnologia não substitui conexões humanas
Em tempos de inteligência artificial e comunicação digital, Paula acredita que as ferramentas tecnológicas devem ser utilizadas para otimizar processos, mas não podem substituir o contato humano.
“É usar a inteligência artificial com aquilo que ela tem de melhor para dar para a gente: otimizar tempo, melhorar processos e ajudar a pensar. Depois disso, é ir para a rua. É olho no olho”, afirma.
Ela também chama atenção para os impactos do isolamento social e do excesso de interações mediadas pela tecnologia. Para profissionais que enfrentam dificuldades para construir relacionamentos, a recomendação é buscar ambientes presenciais que favoreçam conexões genuínas, como esportes, comunidades de interesse e encontros profissionais.
Networking começa antes do cartão de visita
A principal mensagem deixada por Paula Regufe é que networking não é sobre quantidade de contatos, mas sobre qualidade das relações construídas ao longo da vida. Negócios podem surgir em eventos empresariais, em um café entre colegas ou até mesmo durante uma conversa despretensiosa no trajeto de um aplicativo de transporte.
Em um cenário profissional cada vez mais automatizado, a capacidade de ouvir, acolher, conectar pessoas e compartilhar experiências continua sendo um dos ativos mais valiosos para quem deseja construir uma carreira sólida e sustentável.
Como resume a especialista: “Todo mundo tem algo a oferecer ao outro. Se você se colocar à disposição, isso já pode ser suficiente para uma pessoa abrir uma brecha e te ajudar.”
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